Sempre vale a pena focar em pessoas

Sempre vale a pena focar em pessoas

A pandemia trouxe inúmeros desafios para os sistemas de saúde, econômico e social. E consequentemente, esse cenário global e local reverberam para dentro das companhias. Como líder de uma multinacional farmacêutica no Brasil, vivenciei no início da COVID-19 no País o temor de um ano catastrófico para a empresa:  falta de um direcionamento corporativo global, decisões de combate à pandemia gerenciada de forma descentralizada por cada estado brasileiro, economia paralisada, polarização política influenciando o comportamento da população, e como muitos executivos, nenhuma experiência com trabalho 100% remoto.

Diante do caos, tomei três importantes decisões que, a meu ver, foram fundamentais para encarar a gestão de crise que vinha pela frente e que inclusive, ainda estamos vivendo. O que cada ação tem em comum é seu foco em priorizar integralmente as pessoas.

A primeira determinação foi o trabalho remoto para todos os funcionários prezando pela saúde e segurança de todos. Em seguida, criamos dois comitês, um formado pela liderança da companhia, e o outro por membros da linha de frente que mantém contatos diários com os nossos clientes, para analisar o cenário, discutir os fatos e termos agilidade e representatividade na tomada de decisões e na comunicação com os colaboradores. E a terceira, foi manter um canal de comunicação aberto, frequente e transparente para compartilhar tudo o que estava acontecendo no mercado e o que a companhia estava fazendo para oferecer as melhores condições de trabalho possíveis, cuidando do bem-estar e atendendo as necessidades de nossas pessoas por meio de bate-papos e espaço de diálogo em grupo ou individuais, webmeetings mensais com todos os colaboradores e mensagens minhas com reflexões sobre o momento vivido semanalmente.

Contudo, a pandemia tirou todos nós da zona de conforto. E para percorrermos um momento desafiador com mais equilíbrio, precisamos desenvolver continuamente as nossas habilidades comportamentais (as chamadas soft skills), em especial, a liderança humanizada, a resiliência e a inteligência emocional.

Para exemplificar a liderança humanizada, Simon Sinek traz uma frase muito apropriada: “Líderes são responsáveis por pessoas, não por resultados. Líderes cuidam de pessoas, não de números.” Foi exatamente o que eu e meu time fizemos em 2020. O foco em pessoas demonstrou ser a decisão correta:  alcançamos alto nível de satisfação da equipe em relação ao gerenciamento de crise e o cuidado que a empresa teve com todos e como consequência, superamos todas as metas corporativas. Sem cuidar da necessidade humana, não há resultado que valha a pena.

Outro aprendizado que tivemos no ano passado foi exercitar – e muito! – a resiliência. Até hoje estamos trabalhando essa competência essencial para lidar com as adversidades e o distanciamento social. Ela nos ajuda a superar obstáculos, a resistir à pressão e ao estresse das situações inusitadas, além de lidar com a nossa reação e comportamentos diante das surpresas.

É claro que o período que passamos e estamos passando é extremamente desafiador. Porém, o meu convite a você é buscar ressignificar esse momento. Use a dificuldade como uma oportunidade para gerenciar melhor as suas próprias emoções. Entendo que não é fácil manter a inteligência emocional quando estamos sendo bombardeados com notícias negativas e lidando com frustrações a todo instante.

Uma crise desperta automaticamente sensações negativas como medo, angústia, insegurança e até raiva. Passamos, ainda que de maneira inconsciente, a focar no lado nocivo dos acontecimentos ao nosso redor e a nos juntar a pessoas pessimistas. Um contraponto crucial é ativar e cultivar a inteligência emocional para manter a serenidade e evitar conflitos e discussões desnecessárias.

Ouça suas emoções. Entenda quais delas merecem atenção e energia. Por mais difícil que seja, dedique mais tempo e esforço ao que te faça bem!

Afinal, a pandemia nos oferece uma grande lição de vida. Fomos presentados com uma pausa. O mundo nos parou para repensarmos os nossos valores e dedicarmos o nosso precioso tempo ao que realmente importa e vale a pena. Que tenhamos sabedoria para gerenciar as adversidades, priorizando sempre a humanização de nossas ações – conosco e com o outro. Só assim, sairemos mais conscientes e evoluídos dessa pandemia.

Resgate a essência humana, exercite a empatia e fique seguro.

Ricardo Ogawa