Curando nossa criança para criarmos adultos conscientes

Curando nossa criança para criarmos adultos conscientes

A história deste texto surgiu no momento em que a Márcia Lerinna lançou um convite para fazermos uma condução na abertura da aula sobre Períodos Formativos, na turma de formação de Analistas Master. A ideia era termos um momento para colocarmos a turma na sintonia do aprendizado, trazendo todos para um centramento e um ponto de partida para iniciarmos. Senti um frio na barriga e, ao mesmo tempo, uma empolgação, minha mente já estava cheia de ideias e aceitei o desafio de colocar conhecimento, intenção e sentimento no papel.

Para nos colocar na intenção do aprendizado, escrevi um texto que é uma compilação de muitas frases e textos, de muitas pessoas, inclusive da Márcia, que li e ouvi, que fizeram sentido pra mim em determinado momento e que se integram com o aprendizado e utilização da matéria. A minha intenção é que, através do estudo dos Períodos Formativos, possamos olhar para nós, olhar para nossa história e compreender que todas as nossas experiências, de uma forma ou de outra, já tinham um script, que tudo possui uma ordem e um sentido. Nesse movimento de aceitação e integração, nos libertamos e curamos nosso passado. Deixamos de culpar o passado pelo fracasso do presente e podemos então agradecer a todas as nossas experiências, toda a nossa história, que nos trouxe até aqui e que nos faz ser quem somos. Agradecendo ao passado podemos honrar nosso futuro, que se constrói a partir do nosso presente.

Entendemos que crianças e adolescentes têm necessidades muito especiais para que possam se desenvolver em sua plenitude, quando estas necessidades não são supridas, quando as experiências são ruins e até traumáticas, vemos surgir um adulto ferido, que nega uma parte de sua existência e assim não consegue se desenvolver integralmente.

Costumamos julgar e dizer que no lugar do outro não faríamos isso ou aquilo, ou que faríamos diferente, isso só é verdade a partir da nossa perspectiva e das nossas experiências, mas pode não fazer sentido da perspectiva e experiências do outro. É preciso compreender que o outro faz o melhor que pode, com os recursos que possui. E que, a partir desse entendimento e aceitação, podemos ver surgir a verdadeira compaixão.

Quando encontrarmos alguém com comportamentos desafiadores para nós, que possamos enxergar para além da atitude, a criança ferida que existe ali, uma criança que não teve seus desejos e necessidades atendidas e que neste momento revive a dor e se defende como pode. Que possamos acolher e acalmar esta criança, para que então possamos conversar com o adulto que se encontra diante de nós.

Que através deste caminho possamos olhar para nossas crianças, as que trouxemos ao mundo e as que estão perto de nós, e vê-las como adultos em desenvolvimento, dando a elas os recursos necessários para que se desenvolvam em sua plenitude e que possam se tornar adultos felizes, sendo exatamente quem são. As crianças já nascem com todas as informações necessárias para se desenvolverem, mas precisam de amor e um ambiente que os acolha e permita que possam expressar sua essência.

Ainda não existe uma geração de crianças sendo cuidada por uma geração de adultos conscientes, até hoje continuamos passando o peso das nossas dores para as gerações seguintes que, para honrar quem os precedeu, aceita o fardo e leva adiante. Que possamos soltar nossos fardos e iniciarmos o movimento de fazer de nossas crianças, adultos conscientes, que precederão uma nova geração livre de todo o peso passado de geração em geração.

Que sejamos nós a iniciarmos este projeto!

Karina Lapolli
Interventora Human Code